EU E O NATURISMO: POR RENATA CASTRO

Nunca fiz naturismo. Vários amigos fazem, explicam-me as vantagens, a sensação de liberdade, de bem-estar com o corpo, com a natureza, comigo mesma, tentam por várias vezes convencer-me mas até agora nunca me dispus a fazê-lo.
Posso mesmo dizer que o mais próximo de tirar a roupa numa praia que tive foi fazer top-less numa praia pouco frequentada que me valeu um enorme escaldão no peito, uma zona normalmente protegida que, pelo hábito, não é contemplada com creme protector e mereceu um infeliz esquecimento.
Lido bem com o meu corpo e frequentemente ando nua em casa, num ambiente cujas paredes me reservam na intimidade um espaço que sempre tenho como privado. Mas inibo-me frequentemente com situações de exposição, em que o contacto com corpos alheios, quer de amigos ou desconhecidos, estejam de certa forma mais expostos. Seja ele em balneários, ginásios, ou numa simples ida à praia. Quaisquer momentos sociais em que o que no meu entender, o privado se torna público.
Escrever um texto sobre naturismo, num espaço sobre naturismo torna-se um desafio extra nunca tendo eu própria passado pela experiência. Daí que falar sobre os constrangimentos pessoais que me levam a nunca o ter feito me parece ser a melhor maneira de o abordar.
E se parte passa pela pouca disposição pessoal para o fazer, pela reticência em experimentar coisas diferentes que me tornam mais exposta, a grande parte poderei dizer passar-se precisamente pelo constrangimento social. A ideia sexualizada associada a corpos desnudados, expor o meu próprio corpo num espaço público leva-me a criar barreiras que se pautam pelo desconforto e inibição.
Quando confrontada com a possibilidade de o fazer com amigos próximos não deixo de pensar na sensação de estranheza de contactar com o sexo de outros publicamente, partes normalmente por mim associadas a momentos privados e íntimos. Lidar com o natural voyeurismo de iniciante e não saber como lidar com os corpos alheios, ou sentir-me desconfortável com o meu próprio corpo são ainda outras razões que me levam ainda a não ter ‘dado o passo’.
Talvez esteja a perder toda uma nova experiência, uma sensação de liberdade contra todos os preconceitos socialmente impostos. Talvez no dia em que o fizer venha a este mesmo espaço descrever a experiência.
Se são desconstruções mentais aquelas pelas quais terei de passar para aceitar o meu corpo e o dos outros? Talvez sejam. Ainda assim, até que por elas passe, irei continuar a manter as marcas do bikini num corpo levemente tocado pelo sol.

Renata Castro

Posted in CORPO E MENTE, NUTICIAS.

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